quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A Cigarra e a Formiga Boa (Fábula)

Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé dum formigueiro. Só parava quando estava cansadinha; e seu divertimento então era obsrvar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas. Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.  A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.

    Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu -Tique, tique, tique...

    Apareceu uma formiga, fiorenta, embrulhada num xalinho de paina.

    – Que quer? – Perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.

    – Venho em busca de um agasalho. O mau tempo não cessa e eu...

    A formiga olhou-a de alto a baixo.

    – E o que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?

    A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois de um acesso de tosse:

    – Eu cantava, be sabe...

    – Ah! ... Exclamou a formiga recordando-se. Era você então quem cantava nessa árvore, enquanto

nós labutávamos para encher as tulhas?

    – Isso mesmo, era eu...

    – Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: Que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

    A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.


Moral da história

Veja o lado bom das situações. A formiga poderia ter olhado que a cigarra não fez o trabalho pesado de construir a sua casa e por isso estava sem abrigo, mas ela observou que o que a cigarra fazia, que era cantar, a ajudou a se sentir bem enquanto fazia o seu trabalho pesado; o som que ouvia a aliviava e fazia ela se sentir melhor. Pela boa ação que a formiga já tinha recebido da cigarra, ela sentiu prazer em retribuir com outra boa ação. 

Autor: Monteiro Lobato. 

Moral da história escrita por Kmin Até Tu, exclusivamente para o site Ler Livro Infantil.


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